Há tempos atrás, o mundo recebeu a notícia que, o sucesso ou fracasso das nações, não dependia de suas economias ou recursos naturais, mas sim de suas instituições. Essa informação foi à conclusão de uma profunda pesquisa feita através da história comparada das nações, por Douglas North, dos estados Unidos, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia.
"Instituições”, segundo North, não se resumem apenas às estruturas jurídico-legais ou aos sistemas de governos, mas sim aos seus valores, crenças e culturas consensualmente aceitas pela sociedade. É aí que nós entramos.
Como se forma o conjunto de princípios que constituem esta "cultura" de valores? Quem lhes dá forma? De onde vem o "jeito" de viver, de se comprometer, de acreditar em si e nos outros? São forças quase invisíveis que compõem esse quadro, até a pouco tido como inofensivo e sem valor substancial à nação.
A chamada cultura popular é sim a base de desenvolvimento de um país, pois nela se sustentam as demais relações da vida, como mostra North. Na entrevista dada à revista Veja, ele menciona acreditar serem essas as bases para o desenvolvimento dos países nórdicos, chamada de "Ética protestante". Ë nesta seara que trabalham, nos meandros da sociedade, todos os dias, semanas, meses e anos, um exército de pastores, líderes e igrejas em todas as camadas sociais do país. Dos mais ricos bairros a mais carente favela brasileira e, até mesmo, nas penitenciarias e casas de detenções.
O quadro desenhado por North, a respeito do ambiente necessário ao sucesso de povo, é no mínimo intrigante e extremamente coincidente com a interpretação que damos à vida e ao evangelho para o homem comum.
Segundo North, "Instituições Positivas” são traduzidas por confiança mútua, ética no trabalho, senso comunitário, valorização social do mérito e do esforço individual, cumprimento dos compromissos. São, por ele, enumeradas como valores que levam um povo à maturidade, ao progresso e à prosperidade.
"Instituições negativas", como desconfiança do próximo, valorização do mínimo esforço, esperteza, malícia, a cultura do “levar vantagem em tudo", cobiça da propriedade alheia, falta de compromisso com a palavra dada e contratos levam à desagregação, aos conflitos sociais permanentes, de onde nascem à corrupção generalizada e o desinteresse ao empreendimento, tanto individual como coletivo.
Parece que as verdades do evangelho são mais atuais e necessárias que se podia imaginar. Vemos que a igreja hoje é fundamental e imprescindível em qualquer sociedade, por ser a agência que, prioritariamente, propaga e difunde tais valores.
Sem Deus o homem está sem rumo, sem destino, sem referencial, sem valores. É a instituição negativa, onde cada um tenta sobreviver por si próprio, tirar vantagem de tudo e de todos. Parece que vivemos este filme aqui no Brasil. Infelizmente, por enquanto!
Bispo Rodovalho Presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação
Social e Política (Fenasp) e do Ministério Sara Nossa Terra


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